Relato do nascimento de Rafael

Pais: Laniele Muniz e Leonardo Vieira
Bebê: Rafael Carvalho Muniz Vieira
Data do Nascimento: 22/11/11
Médico: Dr. Marco Aurélio Valadares
Ter um filho nunca foi uma opção certa para nós, mas se o tivéssemos a única certeza é que gostaríamos que fosse parto normal.
Apesar de ainda não estarmos decididos pelo momento de engravidar, como já vínhamos discutindo sobre o assunto em Janeiro de 2011 resolvemos buscar um médico que incentivasse o parto humanizado. E assim, chegamos ao Dr. Marco Aurélio Valadares pela indicação da Dra. Quesia Villamil.
Para nossa surpresa voltamos do Carnaval grávidos e com muita vibração de todos a nossa volta iniciamos o pré-natal com o Dr. Marco. Foi uma gestação maravilhosa e a cada fase crescia em nós a vontade de viver o momento do parto de forma intensa e o mais naturalmente possível.
Buscamos no Curso Teórico do Núcleo Bem Nascer o apoio que necessitávamos para o nosso “Plano de Parto” e caminhamos para a escolha de um parto natural. Em vários momentos, conversávamos entre nós e com o Dr. Marco sobre a nossa escolha, mas sempre conscientes de que o parto ocorreria da melhor forma possível e se fossem necessárias intervenções obstétricas elas seriam bem vindas, pois o importante era a segurança da mamãe e, principalmente, do bebê.
A data prevista para o parto era dia 22/11 e no dia 18/11 o Dr. Marco realizou uma sessão de acumputura para estimular o aumento do ritmo das contrações para a preparação do trabalho de parto, pois eu estava há uma semana com 2 cm de dilatação e sem outras mudanças. No dia 21/11, acordei às 02h00min com fortes cólicas, que identifiquei como contrações e fui para a sala de casa contar a frequência. Optei por não acordar meu marido, pois as contrações estavam irregulares e fugazes.
Pela manhã, contei ao Leo como tinha passado as últimas horas e ele decidiu ficar em casa para aguardar o agendamento da minha consulta e me levar. Enquanto isso, caminhei, tomei banho de banheira e senti que as contrações aliviaram a intensidade, mas não a freqüência. Como o Dr. Marco Aurélio havia solicitado me ver, liguei para sua secretária, Eliane, e marquei uma consulta às 18h30min. Mas, o tampão do útero começou a se dissolver e liguei novamente para falar com o Dr. Marco, o qual após ouvir minha descrição, preferiu me ver na Maternidade Santa Fé às 13h00min horas.
Após sua avaliação, o Dr. Marco confirmou que eu estava em trabalho de parto, com 4 cm de dilatação e que em poucas horas poderia evoluir para o momento crucial. Decidimos voltar para a casa e adiar a internação o máximo possível.
No caminho para casa, liguei para minha irmã Lidiane, pois já estava tudo combinado com ela e nossa amiga Hélen Monteiro, ambas pediatras e neonatologistas, que estariam conosco para receber o Rafael. Também liguei para fotógrafa Ana Paula Aquino, a qual contratamos para registrar este momento único em nossas vidas.
Em casa, por volta das 16 horas as contrações entraram em um ritmo mais regular e fui para a banheira. Logo em seguida Ana Paula e Lidiane chegaram e ali ficamos conversando por um longo período de conforto na água. Depois passamos às técnicas de massagem ensinadas pela fisioterapeuta Sabrina Baracho e o Leo as aplicou com muita maestria para auxiliar no alívio da dor das contrações, que já se encontravam regulares de 4 em 4 minutos e duração de 40 segundos.

Sob constante monitoramento do Dr. Marco por telefone, fomos ficando em casa onde a atmosfera era calma e feliz. Após as massagens, iniciei o uso do TENS para alívio da dor. Com este equipamento mágico, consegui sentar e tomar um café da tarde reforçado.
Em sua última ligação o Dr. Marco achou prudente marcarmos a internação para as 19:40h. Chegamos à maternidade no horário e lá estava ele nos aguardando. Na primeira avaliação, a dilatação estava em 5-6 cm e as contrações se mantinham regulares e cada vez mais intensas. Fomos para o apartamento e lá o médico manteve o monitoramento.
Com a chegada da Hélen nosso grupo ficou completo e apesar das dores eu sentia muita tranquilidade e descontração naquele ambiente. A data prevista para o parto chegou (22/11) e todo o ciclo para alívio da dor se repetia: chuveiro, massagem e TENS. Mas a dilatação estacionou nos 7 cm.
Por volta das 4h00min iniciei com episódios de queda da pressão arterial. Estava extenuada pelas mais de 24 horas em trabalho de parto e sentia que o corpo já não respondia ao meu comando. O Dr. Marco Aurélio indicou a subida para o bloco cirúrgico para o rompimento da bolsa para acelerar a descida do bebê e a evolução da dilatação, mas também sugeriu uma dose bem fraca de anestesia peridural para eu descansar um pouco e me preparar para o momento de receber o Rafael.
Neste momento, eu estava com o TENS e sua retirada foi a gota d´água para a dor tomar conta. As contrações não tinham mais intervalo, eu sentia todo o meu corpo em espasmos musculares e uma sensação de desmaio iminente. Não sei se foi soro com ou a ou a anestesia, mas em poucos minutos após minha chegada ao bloco senti um alívio profundo e muita disposição para continuar firme até o final.
O Dr. Marco Aurélio rompeu a bolsa por volta das 5h e me deixou descansando junto ao Leo que estava comigo o tempo todo, firme e concentrado, mas acima de tudo muito carinhoso e amoroso. Após algum tempo senti as contrações se intensificando novamente, e o lado direito havia ficado mais anestesiado que o esquerdo, onde eu podia sentir a dor.
O Dr. Marco Aurélio e o Leo me transferiram da maca para a cadeira de cócoras, pois a anestesia retirou a força das pernas, mesmo assim com auxílio deles eu conseguia ficar de cócoras e fazer força, mas o bebê não descia e coroava. Por volta das 8h00min o Dr. Marco chamou o Dr. Hemmerson Magioni para auxiliar na fase de expulsão e agindo de forma conjunta os dois decidiram me transferir para a mesa de parto, onde sugeriram que eu tomasse mais uma pequena dose de anestesia. Depois iniciaram a realização de manobras para auxiliar na descida do bebê e encaixá-lo no períneo.
Sob as orientações do Dr. Hemmerson eu tentava fazer toda a força possível, mas não era eficiente, até o momento em que escutei o Dr. Marco falar que estava pensando em realizar uma episiotomia e a resposta do Dr. Hemmerson de que achava melhor aguardar um pouco. Com muita delicadeza, ele me informou que a partir daquele momento tínhamos que nos preocupar com o bem estar do bebê e se nesta última tentativa ele não saísse seria necessário alguma intervenção como o fórceps ou a episiotomia.
Neste momento, como que por um milagre a comoção tomou conta de todos que começaram a me incentivar para continuar e não parar, pois o Rafael estava chegando. Tentei me erguer e quando consegui vi sua cabeça e ombros nas mãos do Dr. Marco Aurélio, ao mesmo tempo eu e o Leo explodimos em um choro só, que era um misto de felicidade suprema e alívio. Assim que a Helen o colocou em meus abraços, eu o apertei com tanta intensidade e amor como não há palavras para descrever.
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Já não me recordava de dor nenhuma, somente dava graças da Deus por meu bebê estar ali em meus braços, saudável e lindo. Só tenho a agradecer ao Dr. Marco Aurélio por estar 100% sintonizado com os nossos desejos durante a gestação e o parto, e muito mais do que esperávamos em persistência e atenção quando mais precisamos. Ao Dr. Hemmerson, que com delicadeza incrível chegou em um momento crucial e foi decisivo para o desfecho do parto.
A Lidiane, minha irmã, presente em toda a gestação e ali na hora do parto, sendo essencial para nos tranquilizar e dar apoio com toda a sua experiência, leveza e amor. A Hélen, amiga querida, presença serena e profissional maravilhosa até o fim. A Ana Paula, fotógrafa determinada com um olhar sensível por trás da lente, discreta e respeitosa.
Ao Leo, no olhar de quem eu buscava a força para continuar, nos braços para me sustentar e no amor para trazer ao mundo nosso filho. A esse homem, marido e companheiro maravilhoso devo tudo isto e compartilho cada minuto da felicidade imensa de ter nosso filho nos braços.
Apesar do parto não ter sido exatamente o que sonhei, pois fiquei 32 horas em trabalho de parto. A emoção foi indescritível e eu faria tudo de novo e da mesma forma.