Relato de Parto da Olivia – 19/07/2010
Minha gestação durou mais que nove meses. Começou bem antes, quando eu e marido decidimos que seria hora de aumentar a família. Nesta época, comecei a ler muito sobre gravidez e parto humanizado. Antes mesmo da notícia do nosso tão sonhado positivo, conheci o Núcleo Bem Nascer e decidi marcar uma consulta com um de seus profissionais. Foi quando, 15 dias antes da consulta ela chegou, estávamos grávidos! Uma emoção sem tamanho, seríamos pais...O primeiro ultra som e um susto: eu tinha útero bicorno. Sem saber o que era, comecei a pesquisar a respeito e só encontrava más noticias – o risco de um aborto, risco de parto prematuro , etc. Sorte nossa que a consulta estava chegando e conhecemos uma profissional e pessoa maravilhosa, Dra. Quésia que, com seu carisma, tranqüilidade e experiência nos acalmou e nos deu confiança para curtir cada segundo da gravidez, a barriga crescendo, os primeiros chutes, até mesmo a azia e a falta de ar.
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Em cada consulta, eu e meu marido conversávamos muito com a Dra. Quésia e aos poucos, sem escrever, deixamos elaborado um plano de parto: seria o mais natural possível, aquele em que eu me sentisse bem, sem intervenções desnecessárias. De olhos fechados poderia confiar e sabia que o que acontecesse seria realmente o necessário.
A gravidez toda foi muito tranqüila...Chegando ao final, veio a insegurança. Teria minha filha em outra cidade que fica a 100 km da minha. Me perguntava se daria tempo de chegar, se perceberia o momento certo de ir para o hospital, se...se...se...
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Nossa mocinha que sempre nos ouviu e nos ajudou mais uma vez colaborou e as 2:30 da madrugada do dia 19 de julho, completando exatas 39 semanas, minha bolsa estourou. Eu, dormindo, senti uma água saindo. Ainda meio sonolenta pensei: isso não me parece xixi, acho que chegou o grande dia!! Acordei meu marido, tomamos um banho e liguei para a Dra. Quésia. Deveria esperar as dores começarem e caso ficasse tudo na mesma até o meio dia, iria para Belo Horizonte. Em meia hora vieram as dores nas costas e pedi ao meu marido que fossemos para o hospital. Avisamos a Dra. que combinou de nos encontrar lá.
Chegamos as 4:30 da manhã e ao exame de toque, surpreendentes 7 cm de dilatação! As dores eram suportáveis e com o auxilio do chuveiro, banheira e bola e o carinho do maridão ficamos no apartamento do hospital até os 8/9 cm.
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Chegando à sala de pré parto, Dra. Quésia perguntava a todos que cruzávamos no caminho: “Já viu alguém com 9 cm sem analgesia?” Eu, mais pra lá do que pra cá no meio às contrações, sorria e mantinha minha concentração na chegada da minha princesa.
A pressão aumentava e a vontade de fazer força começou. Dra. Quésia sugeriu que me agachasse nesses momentos para facilitar a descida da nossa princesa e aliviar a dor. Não sei quanto tempo se passou nessa sala. Eu apoiada no marido empurrava a cada contração; Dra. Quésia espiando, sempre tranqüila e sorridente e minha irmã, registrando cada momento.
Comecei então a sentir uma queimação, a cada força parecia que tudo se rasgaria. Era minha pequena chegando e coroando...pronto, 10 cm, chegou mesmo a hora. Nesse momento perguntei a Dra. se eu conseguiria e ouvi um animador: mais 10 minutos e ela nasce! Acho que nem cogitei a possibilidade de uma analgesia. A esta altura faltava pouco, antes mais 10 minutos do que uma picada na coluna, dormência nas pernas, etc...
Então vamos lá, direto para o bloco cirúrgico (andando): nossa princesa já estava baixinha querendo chegar. Colocaram uma banqueta para meu marido sentar e no instinto já apoiei nele e agachei, fazendo força quase sem parar. Em cada uma sentia mais perto a cabeçinha dela. Posso dizer que a partir daí me desliguei total do mundo. De olhos fechados, só ouvia as palavras de incentivo e mantinha minha concentração na chegada da minha mocinha. É claro, nesse período uma pausa para as fotos! Hoje me pergunto, como alguém em pleno trabalho de parto sem analgesia ainda consegue fazer pose para a foto...só a Dra. Quésia mesmo pra me fazer isso...
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Foram os 10 minutos mais longos e os mais curtos da minha vida. Senti todo o corpinho da minha linda nascendo...a cabeça veio abrindo espaço, uma dor e uma sensação que não sei descrever. Depois uma pequena pausa e os ombrinhos, e aí todo o restante do corpinho deslizando. Num piscar de olhos tinha um bebê nos meus braços, meu bebê, minha princesa.
Nos primeiros minutos de vida, Olivia já ensaiou sua primeira mamada, depois, papai a levou ao berçário para os procedimentos padrões. Em pouco tempo estávamos no quarto, eu, papai, nossa pequena e nossa família.
Não me lembro mais da dor, sei que doeu, mas não há lembranças ruins...Ficou apenas a sensação do momento, mágico!
Agradeço a Deus pela oportunidade de gerar e criar essa vida. Agradeço ao meu marido que ficou “grávido” comigo e em todos os momentos esteve presente e, durante o parto soube usar do silêncio, traquilidade e apoio. Agradeço à Dra Quésia que com seu profissionalismo e um carisma que lhe é peculiar nos deu segurança e suporte para passar e aproveitar esse momento único!