Caroline Fernandes

Caroline Fernandes

 

Relato do nascimento da Giovanna

 

36 semanas de gestação

Segunda-feira: consulta de pré-natal - colo do útero dilatado 2cm, apagado 50%.

Sexta feira: festa na casa do Hemmerson de comemoração da conclusão do mestrado da Quésia e da Sabrina. Algumas contrações indolores e perda do tampão mucoso. Ai meus Deus, será que está chegando a hora? Giovanna, espera aí, na próxima quarta é minha primeira palestra como nutricionista do Núcleo Bem Nascer e eu preciso dar esta aula!

Quésia me tranquilizou: “Carol, o tampão mucoso é apenas um sinal, depois que ele sai ainda pode demorar dias, semanas, para o nenem nascer.”

Ufa! Que alívio, nem fiz as lembrancinhas ainda!

O tempo vai passando e o colo vai apagando...

39 semanas e 2 dias de gestação

Segunda-feira: consulta de pré-natal - colo do útero dilatado 4cm, apagado 70%, pensei: é hoje!!! Não dormi a noite, toda hora eu achava que a dor das contrações iria começar. Amanheceu e nada!

 

39 semanas e 3 dias de gestação:

Muita ansiedade, será que é hoje que eu vou ver a carinha da minha princesa?

Mas nada mudou, nenhum sinal de contrações ritmadas e doloridas.

Nossa, que barrigão!

 

A ansiedade era tanta que eu já estava pesquisando na internet métodos para iniciar o trabalho de parto, rsrsrs. Resolvi fazer chá de canela e decidi que no dia seguinte eu iria me movimentar bastante para a Giovanna ir descendo...

39 semanas e 4 dias de gestação

À tarde, liguei para minha mãe e pedi que me buscasse em casa (eu não estava mais dirigindo por causa do barrigão!) eu queria sair, não aguentava mais ficar em casa esperando, esperando...

Eu e minha mãe saímos para caminhar, quando voltamos liguei para a Karininha, que também estava grávida (de 37 semanas) e enquanto conversávamos fiz um pouco de “xixi” na calça. Falei pra ela: - é amiga, está ficando difícil, até xixi na calça eu comecei a fazer, rsrsrs.

Pedi ao meu irmão pra me levar pra casa e quando eu entrei no elevador do meu prédio (que estava lotado de gente), às 20hs, senti uma água escorrendo pelas minhas pernas. Ai que vergonha! Outro “xixi”nas calças, e dentro do elevador! Peraí! Será que isto é xixi mesmo?

Peguei o telefone e liguei pra minha mãe: - acho que minha bolsa rompeu!

Mãe: - Ligue para o seu médico, ligue para o Geraldo, vai para o hospital! Vc está sozinha em casa?

Eu: - Calma mãe, está tudo bem! Eu não estou sentindo nada! Vou ligar para o meu médico e depois te dou notícias.

Liguei para o Dr. Virgílio e ele pediu para eu esperar mais um pouco e observar se as contrações iriam começar e disse que se eu continuasse perdendo líquido  era pra eu ligar, pois ele queria me examinar.

 

É, continuou saindo água, acho que minha bolsa rompeu mesmo!

Liguei para o Geraldo que estava na pós-graduação.

- Amor, vc está na aula? Minha bolsa rompeu! Pode esperar sua aula terminar e depois vem pra casa.

- O quê? Esperar terminar? Tô indo!

 

Enquanto eu esperava o Geraldo chegar as contrações começaram. A Camila, nossa secretária, chegou na minha casa. Eu tinha falado pra ela vir aqui buscar um presente de aniversário que eu tinha comprado pra ela. Contei a ela que minha bolsa tinha rompido e eu estava sentindo as primeiras contrações e pedi que ela me fizesse companhia até o Geraldo chegar da aula. Ele chegou em casa após 15 minutos do meu telefonema! Chegou todo desesperado: - amor, vamos para o hospital!

E eu, toda tranquila: -calma, amor, vou fazer alguma coisa pra vc comer, depois eu vou tomar um banho e aí se as contrações ficarem fortes nós vamos.

Pedi a ele que ligasse pra Isabel, a doula que iria nos acompanhar no parto.

Comecei a fritar um bife pro Geraldo e as contrações começaram a me incomodar. Contei o tempo entre uma contração e outra: 4 minutos. Nossa, estou em trabalho de parto!

Pedi a Camila pra terminar de fritar o bife e fui para o chuveiro, aquilo estava realmente dolorido!

Entrei para o chuveiro às 21hs e a cada 3 minutos as dores vinham fortes. Camila entrou no banheiro perguntando: - Carol, onde estão as malas da maternidade? O Geraldo não está achando...

- Estão no quarto da Giovanna, pode colocar no carro que eu já estou terminando o banho.

Entramos no carro, deixamos a Camila no ponto de ônibus e fomos para a maternidade da Unimed. O Geraldo, meio ansioso, ficava me perguntando o caminho da maternidade e querendo acelerar o carro.

- Calma, amor! Vai devagar! Quanto mais vc corre pior fica a dor!

 

22hs, chegamos ao hospital, minha roupa toda molhada, o liquido não parava de escorrer pelas minhas pernas e eu sentindo contrações de 2 em 2 minutos.

Pedimos para ir para a suíte PPP, um quarto especialmente preparado para que o pré-parto, parto e pós parto sejam feitos no mesmo ambiente mas a atendente falou que tínhamos que esperar para arrumar o quarto.

Pedi para ir ao banheiro e ela me deixou entrar em um que ficava dentro de um consultório. Sentei no vaso e o liquido continuava saindo. Enquanto isso o Geraldo saiu pra resolver a minha internação. Fiquei ali, sozinha naquele banheiro, sentindo uma emoção enorme, uma mistura de medo e felicidade. Estava chegando a hora de conhecer minha menininha!

Isabel, a doula, chegou: ai que alívio! Não aguentava mais ficar ali sozinha!

Geraldo entrou dizendo: amor, o anestesista disse que não pode....

Só escuto a Isabel falando: - Não fala nada pra ela agora, deixe acontecer tudo naturalmente!

Dr. Virgílio chegou: - Vamos subir para o quarto? Quer uma maca?

Preferi ir andando, parando de 1 em 1 minuto por causa das contrações.

Na suíte, o Dr. Virgílio me examinou: tudo ótimo, 6cm de dilatação.

Quero ir para o chuveiro, está doendo! Tirei a roupa e fui para a ducha quente, Isabel me acalmando e massageando minhas costas, que delícia!

Geraldo me perguntou se eu queria vestir meu top (durante a gravidez eu tinha falado com ele que eu não queria ficar pelada durante o trabalho de parto).

- Top??? Eu quero é ficar assim mesmo, embaixo deste chuveiro!

Neste momento, eu já não via ninguém e nem me dava conta do que estava acontecendo ao meu redor. Ali éramos só eu e a Giovanna, em sintonia para o nascimento.

As contrações estavam praticamente sem intervalo, 8cm de dilatação.

- Pelo amor de Deus, não estou aguentando! Chamem o anestesista, está doendo demais!

O Geraldo foi ao bloco cirúrgico e depois de muita conversa conseguiu convencer o anestesista a ir ao quarto, eu queria muito ganhar a Giovanna ali, onde eu estava. Eu não queria ir pra um bloco cirúrgico!

O anestesista demorou uma eternidade e quando chegou me aplicou uma dose pequena de peridural que me permitiu continuar movimentando.

Nossa, que alívio! Consegui sorrir e fazer brincadeiras

 

Geraldo me contou que minha sogra e minha cunhada estavam lá fora, no corredor e eu pedi para vê-las. Foi ótimo saber que mais pessoas estavam acompanhando de perto o nascimento da Giovanna.

Isabel me ajudava a movimentar e tirava fotos de todos os momentos.

- 10cm de dilatação, está próximo! Mas a dor voltou a ficar intensa!

- Quero mais anestesia!

Depois da segunda dose de anestesia, minhas pernas ficaram bambas e eu não conseguia mais andar. Sentei no banquinho de parto (eu havia comprado para o Núcleo Bem Nascer e eu seria a primeira a estreiar)

 

 

Dr. Virgílio falou que a Giovanna estava quase nascendo e que já dava pra ver a cabecinha dela e pediu pra eu começar a fazer força.

O coraçãozinho dela batia perfeitamente, mas por mais que eu fizesse força a Giovanna não nascia...

Eu estava tranquila, tudo estava correndo bem, como eu havia imaginado e o Grande Momento se aproximava!

Dr. Virgílio chegou a conclusão que eu deveria sair do banquinho e ir para a cama pois a Giovanna estava em uma posição um pouco desfavorável e ele teria que “dar uma ajudinha” a ela.

Saí do meu banquinho, sentei na cama, fiz mta força. O Dr. Virgílio e o anestesista empurraram minha barriga, quando escutei: buá, buá, buá...

 

Meu coração acelerou! Giovanna estava ali, linda! A coisa mais linda que eu já vi, trocamos olhares e eu me derreti em lágrimas, chorava compulsivamente: uma mistura de felicidade, amor e a sensação de que Deus havia feito tudo acontecer como eu tinha sonhado. Olhei para o Geraldo e ele também estava emocionado.

A Giovanna era o símbolo perfeito do nosso amor, ela é a nossa misturinha!

Ela recebeu os primeiros cuidados ali mesmo, entre as minhas pernas. E eu chorando e falando: ela é linda, ela é perfeita!

Geraldo cortou o cordão umbilical.

E logo depois ele ligou pra minha mãe que foi correndo ao hospital.

Estavam todos ali: minha mãe, minhas irmãs, a mãe e irmã do Geraldo, todos comemorando com a gente este dia tão especial.

 

Giovanna nasceu as 3hs da manhã, do dia 21 de outubro de 2010, pesando 2,959kg e medindo 48cm, uma princesa, a mais linda que eu já conheci!


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